Doença matou 21 pessoas somente em São Paulo; Governo do Estado encaminhou 300 mil doses de antiviral para auxiliar prefeitura
Levantamento da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo, com base no boletim epidemiológico do Centro de Vigilância Epidemiológica, indica que a capital de São Paulo lidera os municípios com maior número de casos de óbitos por Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), a forma mais grave da doença, para influenza A H1N1 no estado. O Governo do Estado encaminhou 300 mil doses do antiviral Oseltamivir (popularmente conhecido como Tamiflu®) para os munícipes paulistanos. A distribuição do medicamento ocorre em versões adulta e infantil e tem como objetivo facilitar o acesso e uso adequado do medicamento.
Até o dia 15 de maio foram registrados 21 óbitos pela doença na capital, o que representa 38% do total de 55 óbitos confirmados. O levantamento mostra, ainda, que neste mesmo período foram confirmados 328 casos de SRAG para influenza A H1N1 em todo o estado, sendo que 202 deles, ou 62%, na capital.
“Depois da pandemia de 2009, a influenza A H1N1 passou a circular em todo o mundo e a rede pública já disponibiliza vacina gratuita a grupos considerados de risco. Hoje, a influenza causada por este vírus é considerada uma gripe comum, assim como as influenzas causadas pelos demais vírus circulantes no Estado”, explica Marcos Boulos, diretor da Coordenadoria de Controle de Doenças do Estado.
O levantamento aponta que de todos os óbitos de SRAG por influenza, 67% apresentavam pelo menos uma comorbidade, incluindo duas gestantes. Ainda dentre todos os óbitos de SRAG por influenza, 73% foram tratados com antiviral (oseltamivir).
A distribuição do oseltamivir faz parte do combate às síndromes virais graves, que se intensificam nessa época do ano, como a gripe influenza A (H1N1). O abastecimento do medicamento é destinado aos pacientes com Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) e poderá ser prescrito pelo médico responsável pelo atendimento nas unidades de saúde de cada município.
De acordo com a Divisão de Doenças Respiratórias da secretaria, a recomendação à população é que procure o serviço de saúde mais próximo sempre que a síndrome viral caracterizar-se por um quadro de febre, tosse, dor de garganta e pelo menos um dos seguintes sintomas: dores nas articulações, dores musculares ou dor de cabeça.
Para que o oseltamivir tenha o efeito desejado, a recomendação é de que seja prescrito em até 48 horas após o início dos sintomas da gripe aguda. A droga diminui a carga viral no paciente, diminui a duração dos sintomas, melhora o prognóstico da doença e impacta diretamente na diminuição no número de casos de óbitos, principalmente, em pacientes portadores de comorbidades.
Os casos registrados no Estado para influenza A H1N1 neste ano ainda são muito inferiores aos casos registrados em 2009, período da pandemia, quando o Estado confirmou quase 12 mil casos e cerca de 600 óbitos pela doença. Além disso, de acordo com classificação da Organização Mundial da Saúde (OMS), a imensa maioria das pessoas que contraem influenza, nem sequer chega a procurar auxílio médico e apenas os casos que evoluem para Síndrome Respiratória Aguda Grave são notificados no Sinan (Sistema de Informações de Agravos de Notificação).
O Estado de São Paulo conta, ainda, com 10 unidades sentinela ativas para acompanhar tendências das síndromes, monitorar a circulação viral, detectar surtos de epidemias de forma oportuna e, consequente aplicar as medidas de prevenção e controle adequadas.
Para os outros vírus circulantes no Estado, foram registrados outros 1.545 casos para influenza A ou B sazonal. Ao todo sete óbitos foram confirmados pelos dois outros vírus.
Vacinação
Até 29 de maio o Estado de São Paulo continua com a vacinação contra a gripe. Até hoje foram imunizados 7,3 milhões de paulistas, número superior à meta de 80% dos 7 milhões de pessoas que compõem o público-alvo da campanha (idosos com 60 anos ou mais, gestantes, mulheres que deram à luz em até 45 dias, crianças a partir de seis meses e menores de dois anos, indígenas, pacientes diagnosticados com doenças crônicas e profissionais de saúde do Estado).
“Esta vacina, além de proteger a população contra a gripe A H1N1, também protege a população contra os dois outros vírus que circulam no Estado, o influenza A H3N2 e o influenza B”, alerta Helena Sato, diretora de imunização da Secretaria.
Além da vacinação para os grupos prioritários, recomenda-se que todas as pessoas acometidas de qualquer contágio de influenza, adotem e reforcem medidas de higiene, como cobrir a boca ao tossir e espirrar, procurar estabelecer-se em locais mais arejados, evitando, assim, o contágio da doença.
Os postos de saúde abrem das 8h às 17h, de segunda a sexta-feira. Na capital as salas de vacina das rodoviárias do Tietê e da Barra Funda também abrem aos sábados e domingos, das 8h às 20h. A imunização contra a gripe foi introduzida em 1999 no calendário do SUS (Sistema Único de Saúde), pelo Ministério da Saúde. A lista dos postos de vacinação da capital e região metropolitana da Grande São Paulo pode ser acessada pelo sitewww.cve.saude.sp.gov.br.