Em tempos de pandemia e isolamento social, a população brasileira passou a encarar uma realidade de adaptação a uma nova rotina. O trabalho para muitos agora é em casa, as opções de lazer nos finais de semana também devem ser adaptadas ao lar, por isso há uma preocupação de profissionais da saúde a respeito da saúde mental das pessoas.
Para o professor e psicanalista Christian Ingo Lenz Dunker, do Instituto de Psicologia da USP, o momento exige que todos se reorganizem. “Um dos primeiros efeitos da quarentena é a desorientação atencional. A pessoa se sente mais confusa, menos concentrada, muito mais cansada. Ela pensa que vai trabalhar em casa e vai conseguir descansar, mas não é isso que acontece, já que uma série de apaziguadores que temos no trabalho, como a pausa para o cafezinho ou a conversa com o colega, é suspensa”, aponta o psicanalista.
Para amenizar as dificuldades de adaptação, o especialista recomenda ter em mente que tudo isso vai passar. “Ter consciência disso é muito importante para atravessar esse momento”.
Tarefas a cumprir
Quem está na quarentena deve priorizar a reorganização cotidiana, pensando em horários para fazer cada coisa, além de cuidar da higiene e manter a salubridade corporal, já que trata-se de um período de baixa atividade física e isso fragiliza o corpo.
“Caso esteja trabalhando de casa, tente manter certa rotina, incluindo carga horária de trabalho fixa, alternando com períodos adequados de descanso, para não ficar muito esgotado”, recomenda Elenice Bertanha Consonni, psicóloga e docente da Faculdade de Medicina de Botucatu.
Para o equilíbrio mental, a psicóloga sugere pausas ao longo do dia e encontrar atividades que não sejam exatamente produtivas, mas sim restaurativas, como leitura, jardinagem, cuidado com os animais, ou a arrumação de armários e da casa, mudar os móveis de lugar, etc.
No caso das crianças, elas demandam uma atenção especial, pois terão mais dificuldades em substituir os laços físicos pelos digitais. É um momento para acompanhar o filho mais de perto, contar histórias, participar das brincadeiras, interações que foram perdidas ao longo do tempo.
Outras dicas:
– Reduza o consumo de álcool, cafeína e nicotina e evite utilizar medicamentos sem prescrição médica;
– Procure dormir e se alimentar bem;
– Utilize a internet para manter contato com amigos e entes queridos;
– Tente adaptar o ambiente doméstico de forma que consiga realizar alguma atividade física;
– Limite a sua exposição à mídia (TV, jornais, internet) e, quando o fizer, procure sempre referências de confiança.
Se os sintomas de ansiedade e depressão aparecerem de forma mais intensa, os especialistas sugerem a procura por um profissional da área.