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Especialista explica o que as gestantes precisam saber sobre o novo coronavírus

Esperar um bebê já é, por si só, um motivo importante para que se tome mais cuidado com a saúde feminina. Com a pandemia do coronavírus, muitas gestantes e mulheres que deram à luz recentemente preocupam-se com os riscos que a nova doença pode trazer aos bebês e a elas mesmas. Diferente de outras doenças, até o momento as gestantes não foram incluídas nos grupos de risco da COVID-19. Porém, como esse tipo de coronavírus que está em circulação ainda representa uma novidade para a medicina, é necessária a atenção aos efeitos imediatos e de longo prazo que ele pode causar em diversos grupos populacionais.

Rodolfo Pacagnella explica que, por não estarem incluídas nos grupos de risco da enfermidade, as gestantes pudessem sofrer efeitos ligados a doença que passassem despercebidos. “Ao que parece, diferente do que aconteceu com o H1N1, as gestantes não são grupo de risco de maior mortalidade pelo coronavírus. Mas pode ser que aquelas que apresentam algum tipo de complicação na gravidez, como síndromes hipertensivas e diabetes, tenham um risco maior de complicação por causa da infecção pelo vírus”, analisa o professor que está por trás do projeto da Unicamp que monitora a saúde de gestantes durante a pandemia.

De acordo com a médica obstetra do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Botucatu (HCFMB), Cláudia G. Magalhães, “se a gestante estiver com nariz escorrendo, dor pelo corpo, febre ou tosse e não tiver doenças crônicas ou outros sintomas mais graves, ela deverá ficar em isolamento domiciliar por sete dias, não saindo de casa ou recebendo visitas, em um cômodo isolado, separando os objetos de uso pessoal e mantendo uma distância de dois metros das pessoas”.

Caso a gestante apresente algum sintoma mais grave (por exemplo: tosse com sangue, tontura, desidratação, dificuldade para respirar, falar ou andar), faz uso de medicações que diminuam a imunidade ou possui alguma doença crônica (diabetes tipo 1 ou 2, hipertensão arterial, cardiopatia, problemas nos rins ou asma), é necessário, somente nestas situações, procurar a unidade de saúde onde realiza o pré-natal para uma consulta.

A médica explica porque não é recomendado procurar o Pronto Atendimento da Mulher (PA) do HCFMB em caso de sintomas, por exemplo.

“O Hospital como um todo é referência para a recepção e tratamento de casos de maior gravidade, o que pode significar um número maior de pessoas com infecção dentro do serviço. Quanto menor a exposição, menores as chances de ter a doença e de levar o vírus para os familiares. Em caso de quadros leves, estar em casa é o local mais seguro e, na dúvida, a unidade de saúde mais próxima”.

A médica ressalta, no entanto, que o serviço de pré-natal do HC está funcionando normalmente e é importante a gestante comparecer às consultas agendadas, momentos importantes para acompanhar o desenvolvimento do bebê. “Pode ser que o médico faça a opção por consultas com intervalos maiores, mas isto será discutido de acordo com o caso no momento do agendamento. Nós estamos prontos e queremos receber as gestantes para uma assistência ao parto segura e respeitosa porque, apesar de tudo, o momento do nascimento precisa ser especial”, finaliza.

O HCFMB lançou recentemente uma cartilha com orientações e informações sobre o COVID-19 para as gestantes, que pode ser visualizada clicando aqui.