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“Me preparo psicologicamente para deixar de ser Servidora Pública”

Rosana Negrizoli trabalha há 42 anos como funcionária pública no Hospital Maternidade Leonor Mendes de Barros

Rosana Negrizoli é bióloga, tem 65 anos e trabalha como funcionária pública há 42 anos no Hospital Maternidade Leonor Mendes de Barros, unidade da Secretaria de Estado da Saúde (SES). Na unidade, referência em todo o Estado de São Paulo pelo atendimento em saúde da mulher e do recém-nascido, ela construiu uma carreira, passando de oficial Administrativa de Laboratório para Diretora da Divisão de Apoio Diagnóstico.

O interesse pela biologia começou ainda no colégio, quando Rosana escolheu estudar ‘patologia clínica’, onde saiu como técnica de laboratório. Com o diploma, ela iniciou a jornada trabalhista. “Antes de me formar ou pensar em fazer Biologia, eu prestei o concurso público para oficial administrativo, onde comecei a construir minha carreira”, conta.

Foi no dia 2 de agosto de 1982 que Rosana entrou pelas portas da então Casa Maternal e da Infância Dona Leonor Mendes de Barros. A antes funcionária do laboratório, iniciou a transição de cargo por meio do próprio espírito de liderança. “Me ofereceram a diretoria da Lavanderia, Rouparia e Costura, e eu fui porque eu gosto de coisas novas e de aprender. Fiquei por lá por entre 5 e 6 anos”, revela.

“De lá, fui para a Divisão Médica como secretária. Depois, fui convidada a assumir a diretoria de Serviço Diretor Técnico de Saúde I, onde permaneci por 12 anos e só saí para assumir a diretoria da Divisão de Apoio e Diagnóstico”, comenta. Agora, Rosana já completou uma década na função.

A diretora aponta que a tecnologia foi uma transformação que marcou os 42 anos de trabalho no hospital. “As coisas evoluíram, tudo se tornou mais rápido com a internet. Hoje os pacientes conseguem agendar consultas, exames, tudo de uma forma muito mais fácil. A primeira vez que vi um computador na frente eu me assustei e hoje a gente não vive sem ele”, relembra ela.

A maternidade por outros olhos

Com o insucesso de uma gravidez, Rosana realiza um dos sonhos de vida no trabalho. Ela e o marido tiveram tentativas falhas de engravidar, mesmo com o tratamento de fertilização in vitro. “As pessoas me perguntam ‘Como você consegue não ter filhos e trabalhar numa maternidade?’, mas isso é muito bonito, não é porque eu não tive filhos que eu não consigo ver a beleza das mulheres tendo os seus”, desabafa.

“Um dos momentos mais lindos que vivi nesses 42 anos de Leonor foi poder assistir o parto dos filhos gêmeos, Júlia e o Gabriel, da minha sobrinha na maternidade. Isso não tem preço”, conta.

Na profissão, Rosana cresceu muito como pessoa e profissional e se sente realizada em poder ajudar e fazer a diferença na vida das pacientes. “É muito gratificante não ter uma fila de espera para fazer mamografia, ultrassom e densitometria óssea. Então eu acho que isso é o que mais me motiva a cada vez poder fazer mais”.

O trabalho transforma

Com tantos anos de casa, Rosana testemunhou diferentes fases do Hospital Maternidade Leonor Mendes de Barros e acabou criando uma família com os colegas de trabalho. A diretora observa que a relação entre os funcionários muda a visão dos pacientes sobre a unidade.

“No funcionalismo público, nós trabalhamos muitos anos com as mesmas pessoas e eles acabam se tornando membros da nossa família. Quando você tem esse contato, essa amizade, fica muito mais fácil de trabalhar e você passa para o paciente um ambiente melhor e mais acolhedor”, comenta.

Toda a dedicação gerou frutos e, hoje, a unidade é referência em saúde da mulher e maternidade. “O Hospital inteiro me orgulha, eu tenho muito orgulho de fazer parte da família Leonor. Somos premiados como maternidade segura, aleitamento materno, consultórios de rua e outros projetos de sucesso, como o Outubro Rosa”, comemora.

Dedicando mais de quatro décadas pela casa de saúde, Rosana admite que sofre ao pensar na aposentadoria. “Eu muitas vezes me pergunto, como eu vou fazer para sair do serviço. Porque eu tenho 42 anos trabalhados só nesse hospital. Eu tento me preparar psicologicamente porque eu sei que não vai ser fácil, eu amo o que eu faço. Eu amo ser Servidora Pública. Eu amo o Leonor!”.